A dor no glúteo é um sintoma comum no consultório, mas muitas pessoas não imaginam que ela pode ter origem na coluna. Quando persiste por dias ou semanas, começa a limitar atividades simples: sentar, caminhar, agachar ou até dormir. E é justamente nesse momento que entender a causa faz toda a diferença para evitar piora, controlar a dor e recuperar a qualidade de vida.

Vale reforçar que o diagnóstico correto muda o curso da evolução do paciente. Nem toda dor nos glúteos vem da coluna — mas, quando vem, tratá-la precocemente costuma oferecer resultados melhores, mais rápidos e com menor necessidade de procedimentos invasivos.

Entenda por que a dor no glúteo acontece, quais sinais merecem atenção, como ela pode estar relacionada à coluna e quais são as opções de tratamento atuais.

Quando a dor no glúteo é realmente um problema?

A dor eventual após esforço físico é comum. Mas alguns sinais mostram que é hora de investigar:

  • Dor que persiste por mais de 1 a 2 semanas.
  • Irradiação para a coxa, perna ou lombar.
  • Formigamento ou sensação de choque.
  • Dor que piora ao ficar sentado.
  • Desconforto que limita atividades simples.

Quando esses sintomas surgem, é importante avaliar a função da coluna, das articulações e dos nervos que passam pela região.

O que causa dor no glúteo?

A dor no glúteo pode ter várias origens. Entre as mais frequentes estão:

1. Problemas na coluna lombar

A lombar é responsável pela inervação de glúteos, coxas e pernas. Quando algo a afeta, a dor pode “descer” para a região glútea.

As causas mais comuns são:

  • Hérnia de disco: O disco pressionado pode irritar as raízes nervosas, causando dor profunda no glúteo, muitas vezes acompanhada de irradiação pela perna.
  • Protusões discais: Mesmo discopatias leves, se houver compressão neurológica, podem causar dor localizada ou irradiada.
  • Estenose lombar: O estreitamento do canal pode causar dor ao caminhar e alívio ao se sentar.
  • Síndrome facetária: As articulações inflamadas impactam o sistema nervoso central, o que causa dor irradiada para glúteos e quadris.

2. Síndrome do piriforme

O músculo piriforme pode comprimir o nervo ciático, gerando dor glútea que piora ao sentar. Esta condição costuma ser frequentemente confundida com o quadro de compressão na coluna vertebral. Por esse motivo é essencial que seja realizada uma avaliação pelo cirurgião de coluna com o objetivo de descartar quadros mais graves.

3. Tendinopatias e bursites dos glúteos

Comuns em quem pratica atividade física ou permanece sentado por longos períodos. O tratamento é baseado em fisioterapia, medicamentos e ajustes de rotina.

A tendinite glútea é um fator causador de dor na região e pode ser desencadeada por sobrecarga, atividade física inadequada, entre outras razões.

4. Alterações do quadril

Como artrose leve, impacto femoroacetabular ou lesão labral.

5. Disfunções sacroilíacas

A articulação entre a coluna e a bacia pode inflamar e gerar dor unilateral no glúteo.

Quando a dor no glúteo vem da coluna?

Como vimos anteriormente, a dor glútea pode ter diferentes origens — musculares, articulares, compressões nervosas, sobrecarga mecânica ou até alterações nos membros inferiores. Por isso, entender de onde a dor realmente vem é essencial para definir o melhor plano terapêutico.

Nas causas de origem na coluna, normalmente, há um padrão que relaciona os sintomas à trajetória dos nervos que saem da região lombar. A compatibilidade clínico-radiológica — ou seja, quando os achados do exame físico combinam com o que vemos na ressonância ou tomografia — é o que garante um diagnóstico preciso e evita tratamentos inadequados.

Algumas características ajudam a identificar neurológicas:

  • Dor que irradia para coxa, lateral da perna ou panturrilha.
  • Formigamentos e dormências.
  • Sensação de peso ou “choque elétrico”.
  • Dor que piora com flexão ou extensão da coluna.
  • Alívio ao deitar ou ao mudar de posição.

A avaliação clínica detalhada e, quando necessário, exames complementares confirmam a causa e permitem direcionar o tratamento mais eficaz e seguro.

Sinais de alerta: quando procurar um cirurgião de coluna imediatamente

Alguns sintomas indicam urgência:

  • Perda de força na perna.
  • Queda do pé (pé caído).
  • Alteração para urinar ou evacuar.
  • Anestesia na região genital (chamada anestesia em cela).
  • Dor incapacitante que impede de caminhar.

Esses sinais podem indicar compressão importante de nervo e exigem avaliação rápida.

Tratamentos para dor no glúteo de origem na coluna

Quando a dor no glúteo tem origem na coluna, o primeiro passo é confirmar o diagnóstico. Isso começa com uma consulta detalhada, na qual são avaliados o padrão da dor, fatores que pioram ou aliviam os sintomas e possíveis sinais de irritação do nervo [ciático](https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/sciatica/symptoms-causes/syc-20377435#:~:text=A dor ciática pode ocorrer,a outra pode ficar dormente.) ou das articulações da coluna. Exames como ressonância magnética ajudam a visualizar hérnias, inflamações, desgastes e alterações articulares.

Em alguns casos, é possível utilizar também o bloqueio diagnóstico: uma pequena aplicação anestésica, feita com precisão guiada por imagem, que ajuda a confirmar exatamente qual estrutura está causando a dor. Esse passo é fundamental para definir o melhor tratamento.

Com o diagnóstico confirmado, seguimos para o plano terapêutico. Na maioria dos casos, começamos com medidas iniciais, como ajustes de atividades, orientações posturais, adequações ergonômicas e uso de analgésicos ou anti-inflamatórios por tempo limitado. Essas medidas aliviam a inflamação e reduzem a sobrecarga na região.

Fisioterapia

A fisioterapia direcionada é parte essencial da abordagem, porque melhora o fortalecimento do core, aumenta a mobilidade do quadril e da coluna e recupera a estabilidade da região lombopélvica. Técnicas de liberação miofascial e treino funcional ajudam a controlar a dor e prevenir recorrências.

Procedimentos minimamente invasivos

Quando o desconforto persiste, avaliamos procedimentos minimamente invasivos. Entre eles estão os bloqueios foraminais, facetários e sacroilíacos, além das rizotomias. Esses procedimentos têm duas funções importantes: aliviar a dor e permitir que o paciente avance no processo de reabilitação.

É possível ainda considerar terapias ortobiológicas (área em que defendi meu mestrado) para buscar alívio e estimular a regeneração dos tecidos. Entre elas, destaca-se a aplicação do BMA (Aspirado de Medula Óssea), um concentrado rico em fatores de crescimento retirados do próprio paciente.

Cirurgia

A cirurgia é reservada para situações específicas — como compressões nervosas significativas, quadros com perda de força, dor incapacitante ou quando há falha do tratamento conservador. Hoje, contamos com técnicas modernas, como a cirurgia endoscópica da coluna, que preserva tecidos, reduz o trauma e acelera o retorno às atividades.

O papel do cirurgião de coluna é conduzir todo o processo com segurança: identificar com precisão a causa da dor, diferenciar alterações musculares, articulares e nervosas e propor o tratamento mais adequado para cada caso. Também avalio a necessidade de terapias avançadas e acompanho o paciente em todas as etapas da recuperação.

A boa notícia é que a maior parte das dores no glúteo melhora sem cirurgia — desde que a causa seja identificada corretamente e o tratamento siga uma linha clara e individualizada.

Se você sente dor glútea há algum tempo ou já recebeu um diagnóstico na coluna, agende sua consulta. Será um prazer ajudar.

FAQs

Toda dor no glúteo vem da coluna?

Não. Além dos quadros gerados por alterações na coluna, como hérnias ou degenerações, a dor pode vir de músculos, quadril, articulação sacroilíaca. Somente uma avaliação completa diferencia as causas.

Dor no glúteo pode ser ciática?

Sim. A irritação do nervo ciático é uma causa frequente, seja por síndrome do piriforme ou por alterações lombares.

Quando a dor no glúteo precisa de ressonância?

Quando dura mais de duas semanas, irradia para a perna, causa formigamento ou está associada a perda de força